Futebol Cor de Rosa

Da Redação 02 de abril de 2009
Papel e caneta, de preferência cor-de-rosa, ganhando forças no meio futebolístico. Delicadeza, charme e suavidade, sem esquecer do profissionalismo, em um ambiente tão “primata”. A globalização dos sexos chegou ao meio esportivo de vez, pra não mais sair (e Deus ei de querer!), misturando chuteira com salto alto. É a vez delas mostrarem suas habilidades: são as mulheres invadindo o mundo do futebol - um esporte tão apaixonante, agora ainda mais.

É através das assessorias de imprensa dos clubes que o sexo feminino vem sem infiltrando no ultrapassado universo machista do futebol, impondo respeito e com muita classe. Agora, os cheiros de éter e grama ganham um grato concorrente nos estádios paraibanos. Gabrielas Sabatini, Chanels Nº 5 e Dolce & Gabbanas vêm criando uma nova atmosfera nos gramados, ainda mais gostosa de se sentir das arquibancadas. Mas, diferente das novelas joviais da Rede Globo, nesse meio não basta ter apenas rostinho bonito. Quatro anos de faculdade aliados à competência e personalidade – o básico.

A jornalista pioneira neste segmento tem nome, e sobrenome, mas é mais conhecida pelo apelídeo. Núbia Renata, Renata Nunes: a Renatinha. A primeira mulher a realizar um trabalho profissional e especializado pra um time de futebol na Paraíba passou cerca de dois anos no Treze Futebol Clube. “No começo eu estava apreensiva, por que todas as atenções estariam voltadas para você. Qualquer erro seria crucial e em trabalhos que estão se firmando os erros podem determinar muitas coisas. Sou bastante persistente e creio que isso foi o diferencial para eu ter conseguido alcançar a confiança da imprensa. Acho que a minha ida para o Galo serviu para fazer os clubes enxergarem essa necessidade”, diz Renata.

E parece que a iniciativa dela inspirou outras companheiras de trabalho. A também jornalista Wênia Bandeira teve uma rápida passagem pela assessoria da Queimadense e as dificuldades não a impediram de realizar a sua função. “Não contar com as facilidades postas por um clube-empresa, que tem seu local de trabalho determinado, com equipamentos necessários disponibilizados, traz alguns contratempos. A exemplo de estar a 15 minutos de um jogo começar e não ter uma câmera para fotografar, como aconteceu numa partida contra o Nacional quando um torcedor emprestou a sua digital”.

No Campinense Clube, Karina Araújo é quem tem o papel de assessorar a Raposa no departamento de comunicação. Para ela, separar o lado torcedor do profissional é difícil, porém, gratificante. “No futebol é difícil separar uma coisa da outra, mesmo porque, antes de ser assessora de imprensa, eu já era torcedora do Campinense. Durante os jogos, por exemplo, tenho que prestar atenção e anotar tudo o que acontece pra depois redigir a matéria, mas isso não me impede de torcer e comemorar as vitórias do meu time”, comenta Karina.

E quem pensa que o privilégio de ter uma mulher como assessora de imprensa se restringe aos times do agreste paraibano, se engana. No sertão do estado, o Nacional de Patos conta com a competência da bela Fabrícia Farias. Além das dificuldades encontradas no dia-a-dia do trabalho, a jovem estudante de jornalismo diz que é difícil até pra própria família aceitar essa escolha. “É complicado nossos familiares nos verem viajando só com homens, mas eles confiam em mim. Precisamos demonstrar sempre segurança, respeito e mostrar que não é coisa de outro mundo. Ser gentil e educada, mas limitando o convívio ao profissional”, destaca a patoense.

E quando se trabalha em um universo onde os homens predominam, pelo menos por enquanto, as brincadeiras e o “excesso de velocidade” sempre aparecem. “Tinha um torcedor que sempre ficava me chamando da arquibancada, logo quando eu entrei no Treze, aí não nos classificamos e lembro que no último jogo ele me disse que estava triste não pelo Treze, mas por que passaria quase um ano pra voltar a me ver. Ri muito com aquela história”, se diverte Renata. Mas a criatividade não pára aí. Fabrícia já recebeu uma cantada mais “formal”, digamos assim. “Já aconteceram histórias engraçadas, tipo pedidos de casamento, mas nada que valha a pena ser contado”. Nada que não possa ser driblado, chutando as gracinhas pra escanteio, já que geralmente o jogo é de campeonato. “Sempre surgem perguntas afim de nos testar. A mais comum de todas: você conhece as 17 regras? E a resposta mais usada por mim: trabalhando num time pequeno, conheço até a 18ª”, brinca Wênia.

Mas se há um ponto em que todas têm o mesmo discurso é quando são questionadas se fazem ou fizeram esse trabalho com amor, por escolha própria. O “sim” das quatro entrevistadas demonstra que as coisas estão mudando pra que o mundo do futebol paraibano evolua de verdade, embora ainda falte muita coisa. “Infelizmente alguns preconceitos imperam, mas o primeiro passo foi dado. Os clubes estão atentando para essa necessidade e hoje já podemos encontrar mulheres atuando em setores predominantemente masculinos. Afinal, quem disse que mulher não entende de futebol?”. Bem, eu não fui. Foi você?
Guedes e Flávio
Rádio Cidade
Liga Borborema de Futsal
Advogado Dr. Vital
 

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