Barbosinha - Medalha de bronze em Sydney com a Sel. Brasileira

Da Redação 04 de abril de 2009
Dos sessenta e três anos de idade, quarenta e seis dedicados ao basquete, ou ‘basket’ como ele prefere chamar. Só à Seleção Brasileira Feminina já se vão vinte anos de dedicação. Paulista de origem e São Paulino de coração, Antônio Carlos Barbosa, o “Barbosinha”, é o primeiro entrevistado desta nova era do portal futeboldaparaiba.com

O jovem desportista, amante do basquete desde criança na cidade de Bauru, é casado, não tem filhos, mas trata esse esporte com um carinho tal qual teria por um descendente seu. Ícones do esporte mundial como a “Rainha Hortência” e “Magic Paula” foram crias de Barbosa, explicando o porque desse afeto paternal com o basquete.

Homem de um perfil requintado, ouvinte de uma boa bossa nova ou um bom bolero, o bacharel em direito, pedagogia e educação física foi o comandante da Seleção Brasileira de Basquete Feminino nas Olimpíadas de Sydney, na Austrália, quando a equipe conquistou a medalha de bronze na competição.

Entrevista – Antônio Carlos Barbosa
 
1 – POR QUE O BASQUETE?

Foi um início despretensioso, comecei jogando,isto com dezesseis anos,porque a turma de amigos foram jogar,e eu fui também, completava o time não era bom jogador. Certo dia, a professora de Educação Física do colégio que eu estudava em Bauru, convidou-me para treinar a equipe do colégio, e eu aceitei. Eu ainda era aluno, cursava o curso clássico, terceiro grau de um curso mais voltado para línguas, e aí tomei gosto. Cheguei até aqui e isto já se vão quarenta e seis anos.

2 – HOJE EM DIA, QUAL É O MAIOR DESAFIO DESTE ESPORTE NO NOSSO PAÍS, EM TERMOS ESTRUTURAIS?

A falta de interesse de patrocinadores e mesmo clubes, universidades para investirem em basquete feminino. O masculino vive uma outra realidade.

3 – COMO FOI TREINAR JOGADORAS COMO A RAINHA HORTÊNCIA E A MAGIC PAULA?

Foi tranqüilo. Elas iniciaram comigo em seleções, a Hortência na Seleção Paulista JEBS de Brasília de mil novecentos e setenta e cinco e a Paula na Seleção Brasileira de mil novecentos e setenta e seis, respectivamente com dezesseis e quatorze anos. A Paula a reencontrei novamente como atleta na UNIMEP- Piracicaba em noventa e quatro. Foram grandes atletas, companheiras, e hoje amigas.

4 – O QUE A CONQUISTA DA MEDALHA DE BRONZE NOS JOGOS OLÍMPICOS DE SYDNEY SIGNIFICOU PRA VOCÊ COMO PESSOA?

Foi uma realização imensurável, pois poucos acreditavam naquela seleção. Vale lembrar que não tínhamos mais Paula e Hortência.

5 – O QUE VALE MAIS QUE UMA MEDALHA?

A certeza do trabalho bem feito, do relacionamento com a equipe, e com isto gerando uma cumplicidade total no trabalho. Nem sempre a medalha reflete o trabalho.
    
6 – QUAL FOI A MAIOR “CESTA” QUE VOCÊ JÁ FEZ NA VIDA, QUAL BATEU NO ARO E QUAL VOCÊ AINDA PRETENDE FAZER?

Minha maior cesta foi ter começado do zero no basket, isto é, sem ter sido um grande jogador, sem ter tido equipe de ponta no início, morando em uma cidade do interior de São Paulo e ter chegado à seleção brasileira em mil novecentos e setenta e seis e ido até oitenta e quatro, saído e retornado em noventa e seis, estando até hoje, mesmo que não como treinador. Não dei sorte em mundiais, como por exemplo, em mil novecentos e noventa e três quando perdemos o terceiro lugar, faltando sete segundos pro final, e com posse de bola. Em dois mil e dois, saímos em primeiro lugar nos grupos de oitava e perdemos novamente para Coréia faltando vinte e oito segundos. E, agora no mundial de dois mil e seis, com uma atuação impecável por trinta e quatro minutos e sempre comandando o placar, perdemos a chance até do título mundial para Austrália, que é bom relembrar, fez uma partida perfeita.

7 – O QUE DIZER PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO OU PENSANDO EM PRATICAR BASQUETE?

Talento, acoplado a determinação, dedicação, disciplina, treinamento resulta em um craque. Já se você não tiver o talento, mas tiver determinação, dedicação, disciplina e treinamento, você será um excelente jogador.

8 – SE NÃO FOSSE TREINADOR DE BASQUETE, O QUE O ANTÔNIO BARBOSA SERIA?
Com certeza seguiria a carreira jurídica, na qual sou bacharel.
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