
O futebol, que hoje reúne e encanta milhares de pessoas por todo o mundo, surgiu de um esporte praticado por volta do ano de 2.500 a.C., sendo uma invenção atribuída ao imperador chinês Huang-ti. De início, o objetivo do jogo era tão somente treinar soldados, sendo disputado com uma bola de couro que se lançava além de duas estacas cravadas no solo.
Posteriormente, no século I a.C., uma variante deste jogo era praticada em Esparta, onde duas equipes de 15 atletas cada, chutavam uma bexiga de boi cheia de areia. Pouco depois, em Roma, surgia o “harpastum”, um futebol primitivo disputado por militares, que se alinhavam em dois grupos: ataque e defesa.
Na Itália Medieval, apareceu o “gioco del cálcio”. A prática deste esporte era tão popular que, séculos depois, quando o rei Carlos II foi reconduzido ao trono inglês, os seus partidários refugiados na Itália levaram o jogo para além do Canal da Mancha. Nesta época, foram definidas as dimensões do terreno no qual o mesmo era praticado: 120 por 180 metros, havendo dois postes de madeira de cada lado, denominados “goals”. A bola já era de couro, cheia de ar.
Da Inglaterra de Shakespeare e, mais tarde, dos Beatles, o futebol tomaria impulso e espalhar-se-ia pelo mundo, até chegar ao Brasil em 1894, através de Charles Miller. Neste mesmo ano, no dia 23 de maio, nascia em Campina Grande, Antônio Fernandes Bióca, que seria o responsável pela implantação do futebol na Rainha da Borborema.
Em 1908, um grupo de rapazes que estudava em outros centros, voltou à Parahyba (atual João Pessoa) para férias escolares. No dia 10 de janeiro daquele ano, o acadêmico Eugênio Soares chegaria do Rio de Janeiro com uma bola de couro para a prática futebolística. Surgiu então a ideia de fundar-se um time de futebol que levou o pomposo nome de “Club de Football Parahyba”, seguindo a tradição de denominar os nomes na língua inglesa. Para o espetáculo inaugural, dividiram-se em duas equipes: Norte e Sul.
No dia 15 de janeiro de 1908, após as providencias necessárias, no “Sítio do Coronel Manoel Deodato”, ns proximidades da atual Praça da Independência na capital do Estado, ocorreria o primeiro match-treino de futebol na Paraíba, entre as equipes anteriormente divididas. Segundo consta, um grande público compareceu ao local para testemunhar o fato.
Em 23 de fevereiro de 1908, às 16 horas, o Parahyba realizaria o seu segundo match-treino. Fora demarcado um campo de futebol, que seria denominado de “Derby”, sendo colocadas várias cadeiras à margem da cancha de jogo, cedidas pelo Teatro Santa Rosa, destinadas aos convidados. Este segundo jogo terminaria empatado em 1 tento.
Foi nesta data que Bióca assistiu a uma partida de futebol pela primeira vez, quase que por acaso. Acompanhando o seu pai pela cidade de Parahyba, quando da entrega de uma certa quantidade de carne para ser embarcada em um dos navios que aportara em Cabedelo, fora informado que haveria uma nova apresentação deste esporte. Acabaria
por tomar gosto pelo jogo, passando a praticá-lo ao lado de outros esportes, como ginástica e caminhadas. A partir daí, começou a atuar nos campos improvisados de Parahyba como “Keeper” (goleiro) e, vez ou outra, jogando de “full back” (beque central).
Terminadas as férias escolares de 1908, os rapazes voltaram aos seus colégios e o Club de Football Parahyba dissolveu-se. Mas a “semente” futebolística lançada ao solo fecundaria e, em 1909, seria fundado o Parahyba United, vindo em seguida o Red Cross e, depois, o América. Todos eles enfrentariam o grande problema para a prática do esporte naquela época: a falta da bola, o que terminava por provocar, algumas vezes, intervalos bem acentuados entre os jogos, enquanto se esperava a chegada da pelota, vinda do Rio de Janeiro.
Fonte da Pesquisa: Livro Treze Futebol Clube: 80 anos de história (Capítulos 1 e 2).
Autor: Mário Vinícius Carneiro Medeiros